Ao longo do século XX, o Correio abriu amplo espaço para a produção literária de Cachoeiro, surgindo dessa opção editorial nomes consagrados na literatura brasileira: os irmãos Rubem e Newton Braga, que despontaram a partir da abertura deste jornal por seus irmãos mais velhos, Armando e Jerônimo Braga.Dos mais longevos jornais impressos de Cachoeiro, o Correio do Sul foi marcado por uma posição de vanguarda cultural até seus últimos exemplares, datados de 2000. Nascido em 1928, no mesmo período de fundação de grandes jornais do país, como O Globo e A Gazeta, surgiu num período em que Cachoeiro, apesar da crise da cafeicultura tê-lo destronado da centralidade política capixaba, gozava de alto prestígio como pólo cultural, sendo reconhecido como “exportador de talentos”.
O Correio passou por vários donos e foi influenciado por diversos matizes políticos, mas ganhou identidade com a chefia de redação de Newton Braga, poeta que imprimiu ao jornal a marca dos cronistas e escritores locais. Foi no Correio do Sul que Newton lançou a ideia de criar o “Dia da Cachoeiro”, evento cívico-cultural até hoje existente na cidade e marcado pela afetividade, homenagens e reencontros de cachoeirenses ausentes e presentes.
Além das diversas personalidades locais que trabalharam ou colaboraram voluntariamente com o Correio do Sul, ainda é possível encontrar um acervo fotográfico com edições do jornal guardadas ao longo de décadas. O material está sob a guarda do Instituto Newton Braga, inclusive a página na qual Rubem Braga escreveu suas primeiras suas crônicas no Correio, na coluna denominada Correio Maratimba.Registro
Não consta, do conhecimento deste que escreve, nenhum registro histórico escrito que conte a trajetória do Correio do Sul. O periódico deixou de circular, mas, além de referências de autores em livros, nada há posto que relembre sua história e importância no contexto jornalístico de Cachoeiro de Itapemirim.
Por meio da análise do acervo preservado do Correio (e isso é um fato raro em Cachoeiro, onde muito se perdeu e há pouco apreço pela memória, haja visto o patrimônio arquitetônico sendo deteriorado ao longo dos anos) é possível perceber de que forma a sociedade lidava com a informação, entender a evolução do conceito de informação, compreendendo o que era “notícia” naquelas épocas e o que se concebe como “notícia” hoje. Como o jornal nunca foi diário, vale considerar, também, o tempo de consumo e de produção da informação, já que, hoje, não há mais jornais bissemanários.
A mesma análise permite comparar o Correio do Sul com jornais impressos hoje em circulação no município, para observar o que se evoluiu em termos de conceito de jornalismo, de apuração e de produção de informação, por exemplo. O Correio foi uma espécie de berço da formação de escritores.
Por meio da análise do acervo preservado do Correio (e isso é um fato raro em Cachoeiro, onde muito se perdeu e há pouco apreço pela memória, haja visto o patrimônio arquitetônico sendo deteriorado ao longo dos anos) é possível perceber de que forma a sociedade lidava com a informação, entender a evolução do conceito de informação, compreendendo o que era “notícia” naquelas épocas e o que se concebe como “notícia” hoje. Como o jornal nunca foi diário, vale considerar, também, o tempo de consumo e de produção da informação, já que, hoje, não há mais jornais bissemanários.A mesma análise permite comparar o Correio do Sul com jornais impressos hoje em circulação no município, para observar o que se evoluiu em termos de conceito de jornalismo, de apuração e de produção de informação, por exemplo. O Correio foi uma espécie de berço da formação de escritores.
E essa presença da crônica, da expressão da opinião, se mantém nos jornais de hoje, mas não com a mesma qualidade - naquela época, havia textos com mais valor estético, literário, e como expressão de opinião, avaliam críticos locais. Hoje, qualquer cidadão expressa opinião em jornais, sem um critério muito rigoroso. Se isso é bom ou ruim, não se sabe, mas o fato é que acaba servindo com uma espécie de calidoscópio da opinião popular.
História da imprensa
História da imprensa
Enveredar pelas páginas do Correio do Sul é resgatar a história da imprensa em Cachoeiro de Itapemirim. A produção jornalística do Correio é janela para observar o panorama de costumes e valores, da evolução política da cidade de 1930 a 2000. É janela para revelar a perspectiva da evolução da linguagem jornalística, observando registros de eventos municipais e acontecimentos políticos e econômicos registrados nas coberturas do veículo.Aliás, lembrar do Correio do Sul exige propor uma forma de esse acervo se tornar mais acessível às pessoas, já que está em mãos particulares porque Cachoeiro não tem um espaço de memória. Falta uma política pública de preservação da memória local, de valorização da história. E a importância da memória é imprescindível na constituição da própria identidade, ainda mais em Cachoeiro, onde o bairrismo é um dos pilares da autorreferência proclamada.
PS: Fotos são de divulgação. Na ordem: 1) vista do Pico do Itabira, cartão-posta da cidade; 2) Newton Braga na Festa de Cachoeiro em 1951; 3) Ponte de Ferro; e 4) Newton de perfil






Algumas canções do grupo Harmonia Enlouquece








